11/03/2009

Final

Não será diferente sua revanche, seu intento,
que tal qual ele já muitos sofri e mesmo os fiz.
Não ouvirei teu chamado, não te oferecerei batalha,
não te olharei nos olhos, não te dirigirei a palavra,
não te reconhecerei de propósito,
não apontarei a ti meu sorriso.

A qualidade de finada banha o que fomos
e de morta nossa intenção, nosso gesto.
Já não me recordo do formato do teu abraço,
das linhas de teu rosto, da tua velocidade,
da tua voz baixa murmurando que me ama.

E a volta nunca acontecerá, pois sou:
o navio que lhe despediu no cais e naufragou.
A onda que se elevou e agora jás nos bancos de areia.
A folha que, solta da árvore, esta nunca mais viu.
o vento que lhe agitou os cabelos e subiu.
O fogo que aqueceu e nas cinzas se fez lembrança.
O som que antecedeu o silêncio que seremos para sempre.

10/23/2009

Lua

Rezam em senzalas as mucamas para um corpo pagão noturnamente iluminado. A reza baixa murmura agradecimentos, nobres frente à súplica suja de lodo que os senhores de engenho dedicam suas preces. De mãos arqueadas, olhos encimados à longa linha que trespassa o horizonte, ditam um mantra oral e de muita clareza as mucamas que nesta hora deveriam dormir na senzala. Mas superior aos sonhos é a prece rezada. Mais se fazem concentradas à luz que provém do céu, assentadas em seus rotos lençóis de linhas vadias do que as donas da fazenda, ajoelhadas em frente pedestais sob a santa de pedra. Nossa Senhora Aparecida, pintada com tintas feitas de frutos do chão, esculpida em pedra-sabão que abunda nos rios. As donas rezam à terra, aos corpos que alcançam e portanto rezam ao que tocam. A Nossa Senhora dos brancos é feita pelos brancos, de materiais que colhem os brancos. Rezam a si mesmos, os brancos. Na senzala, a Nossa Senhora que recebe as devoções não lá se encontra. Não se colhe nos beira-rios o material do qual se a faz, não se pinta das cores dos frutos da terra. A Nossa Senhora da senzala não se toca. A Lua é a Nossa Senhora da senzala. Para as mucamas, de mãos coalhadas e fissuradas, unidas ou erguidas durante a gratidão cantada em murmurios, nomeia-se a Lua Nossa Senhora do Silêncio. Rezam os escravos aos céus e para aquilo que não é deles nem nunca será e deles serão as graças ouvidas então. Não rezam a si mesmos, nem à aldeia, nem à vida que se arrasta nos dias de sol e se fincam nos dias de tronco, nem à desgraça que deveriam não aceitar. Agradecem ao que lhes foi dado, mesmo que este chegue perto do nada. É a fé sendo um ponto de luz num mar de escuridão. É a Nossa Senhora do Silêncio, calada, vazia no céu negro abissal, iluminando os olhos de quem a pede perdão.

10/22/2009

Guitar Senses

"Ofecerer simplesmente
a ávida porção de tortas
mas displicentes meninices
que me desagradam tanto."


Me recuso com a força, que saem
das minhas oralidades, das palavras
a seguir o prescrito roteiro requerido
por sua ingenuidade decepcionante

Me acovardo gratuitamente e trago
em minhas decisões a coragem
de desistir das promessas provindas
em vista das impedimentas que ditas

Te acuso de requerer o império
quando tuas não são nem as estradas
e perdeste com atos o que era teu
por pura imaginação adiantada

Foi bom, durou
Enfim acabou
é o fim.

10/20/2009

Segunda Feira

"Cada dia de praia no escuro
será uma segunda feira mais feliz"


Velarei teus olhos fechados
para que abertos se clareiem de luz
Sentirei sua voz em cada mínimo ponto
para que eu saiba de verdade o que me diz

Te farei e seremos a calma onda que quebra
e calados falaremos mais que qualquer palavra
De cada segundo faremos anos e assim
os anos se passarão em segundos

Serei tua certeza sólida e talvez única
e tanto que mesmo no maior desencontro
venha de você a confiança inexplicável
vestida de uma entrega mais forte e melhor

Em troca, seria você:
a marca que nunca mais desaparece
o sorriso que resgata a energia
a história que une
as confissões que aproximam
o abraço que significa
as mãos dadas que nunca serão imóveis

9/17/2009

A maresia e o vento

"Hold on to your kind."

A maresia que contorna o ar
supõe que a veracidade do vento existe
e que sua feroicdade expressa
a liberdade que nos encontros grita

A turva memória da grandiosidade
cada vez mais veloz se esvai
e calo na simplicidade do que tenho
me apoiando na gratidão plena

Avante vão as certezas
por sobre as curiosidades
Adorando melhor a posse sólida
por sobre o líquido desejo

A maresia fere vagarosamente
Esgarça continuamente os pilares férreos
E acreditando somente no vento
sobrevivem minhas colunas de concreto

A maresia, material flútuo do desejo
por sobre meu corpo passa
O vento, adulo da conquista me toca
e acreditando nele me sustento.

9/06/2009

Re-lares

"A vista de um espelho
reversa e abstrata.
A vista do ser humano
olhando uma alma farta."

Por mais tempo lecionei
que saboreei o adivinhar
o esperar, o surpreender
E por tal minha voz é fraca

Destronei a divertida felicidade
por uma falta de imaginação
Horas cansativa, horas febril
e me deitei no conforto do nada

Abduzi o que antes conduzia
Eletromagneticamente minha áuera
Engoli, digeri, absorvi, destruí
e em pratos limpos minha fome aumenta

E se, em um dia qualquer, eu:
Reaver sem pedir o susto
Desdobrar as leituras sem entender
Conversar ouvindo por querer
Achar graça por me rever casto
Nas minhas mãos não saberei o que é meu.

8/24/2009

Personagens Mundiais

"Eu falo de anjos porquê sou brega.

Se fosse moderno falava de twitter."


Anjos de pedra do martírio impetuoso

Que se cravam na tenra finalidade

Da vistoria, da maioria, do trabalho

Desapegados de próprios resultados


Demônios de brasa do rasgo crônico

Que se largam na destrutiva motivação

Do desligamento, do isolamento, do descaso

Para próprios benefícios e nada mais


Ledos humanos, maiores enganos

Seguidores desprovidos de bússola sua

Soltos no tudo e presos no nada

Perdidos no seu próprio encontro


Falecidos, completas histórias

Diariamente se aumentando em memória

Dissipando erros, encarnando vitórias

Vencedores sem presença


E no calor do sol e sob a luz fria da lua

Dançam em grupo anjos e demônios

Seres vivos e almas de lembrança

Na roda infinita da história do planeta.

6/26/2009

Lorena e Marcelo

"O caminho, as pedras rotas embalam
Navegantes rosas nas ondas do mar, se espalham
Na abertura do cosmo, estrelas se calam
As palavras dentro de minha boca, falam"

Lorena:
Levantou-se marinamente como ondas
de um leito semi-maternal, quente
para uma redigida dança habituosa
saliente e polivalente, para o carnal

Marcelo:
Se trocou, de liberdade a cifras
de caridade e falácia a monetárias fissuras
Empregou-se a caminhar no atalho
e perdeu-se da alegria pobre

Ambos:
De encontro na vastidão popular
Lorena e Marcelo, praia e mar
se desconstruiram potentes
ele, simples
ela, candura

Até quando a água d'areia não se fartar
e nem os grãos da umidade se envenenarem
serão de mãos dadas, a formalidade
de lábios tocados, a sexualidade
de olhos encontrados, a sinceridade
da emoção do encontro, a eletricidade
de corações colados, a felicidade

6/03/2009

Longas fases

"Ser breve deixa espaços
que são preenchidos por mentes,
que não minha.
Falo tudo então."



Conflitos de menores portes
generosas ponderações animalescas
por sobre e constantes na vida
aprofundantes, tais movediças dunas

No levante solar não só raios se exalam
mas também a realidada animada
aquecendo a ponto de queimar
qualquer mente do sono ainda não atordoada

Dia após dia tantras finais nos alcançam os ouvidos
uma vida inteira absorta na idônea sensação
do término próximo, de um certo reinício
que quando se alcançam, são invisíveis

Presos no que sente a espectadoria geral
nos finais dez minutos de um filme qualquer
perguntamos sentidos quando se instala tal fim
se não nos enchem os olhos resoluções típicas

Animai-vos uns aos outros, reclamava o certo
Porque o fim não existe nunca para um só
mas para vossas companhias, amizades
O que termina não és tu, mas o que te rondas

E como num filme, se o fim chegou
trata-se da história finalmente contada
e se foi boa, ruim, amarga ou curta, não importa
desde que a inércia não se abateu em ti

Hoje, mais um dia, ontem, a última história
É sempre o sol e seus olhos se abrindo
o ponto final do escuro de suas pálpebras
se tornando o começo da luz que banha as pupilas

Acordei de meus amigos, de ontem
abri meus olhos dos líberos destratos
na luz lembrei de nada além da alvidade
e recém nasci por vontade própr

5/22/2009

Canhotismo

"Quando se abrem as páginas da onisciência
e se as lêem frente e verso, amante e amada,
a descoberta se desfaz, a rotina manda
e da rotina provas o amor de verdade"


No que te prenso, se esvai
se corro se desvias, corre mais
se paro me vem em direção
se fecho os olhos grita-me canção

Em quando me desejas herói
te renego, piso, dilacero
e se por vislumbre me ensejas ódio
te salvo, te olho, te falo, te encanto

E quando te marco e tanto machuco
entre vícios e demarcações me cria amor
e quando te amo se enche
se cansa e se desvia

Entre brigas e lados, choros calados
noites pensadas, manias veladas
Um em cada olhar que se afunda
Outro silêncio causado, amargo

Se te jogo para qualquer canto que tenho
me relembras o que é ser centro
Quando me fecho e não, por opção, penso,
se desenhas irracional

Se volto, vem
Se canto, calas
Se choro, secas
Se seco, choras
Se morro, vem
Se venho, morres
Se olho, desvias
Se desvio, olhas
Se amo, sorri
Se sorrio, me lembras
que amor se desvia
não se encontra
se tenta

Na mão direita enlaço a calma
na esquerda tu és ferida
Na calma tudo vai bem
na esquerda eu sinto e apenas sinto

E penso:
vivo sem sentir, direito
ou sinto morrendo que vivo...canhoto?

5/11/2009

Lento sorriso

"eu somos nós
eles são você
juntos estamos sós
sozinhos sem querer"


Merecem douze ou mais levantes
os que empostam milenares vozes
inventam e fingem centenaridades
e se passam e convencem

Em pausas marcadas fecha os olhos
tenramente se encosta e desola, descansa
e devagar se balança, no seu lugar
e perde a vitória que não presta

Mas ganha com emoção nos lábios
a disputa entre o lateral e o central
entre a distinção e a imposição
entre a multidão e a simplicidade

Manter-se na brisa embriagante
e dançar o barulho do mar
eu de mãos dadas com meus irmãos
sabendo ser feliz, nada mais.

4/08/2009

Belo Horizonte

"When the day is over,
everything gets dark.
So do things in life."

A felicidade que me acompanha
navega por turbulencias do mar
que perseguem minha alma ferida
pelas ondas seguintes, pelo ar

A sinergia plena que me acode
tenra-se fielmente aos súbitos
que tais me giram e ficam
eventualmente crônicos

Os acertos se iniciam ternos
e seriam doces e rígidos
não fosse a mais dura sua manutenção
a incessante busca por sua manutenção

A absolvição que me pertence não salva
me afasta das energias que criei e quis

"Sê pleno e livre para a salvação"
livre não só de erros, mas de tudo
das pessoas que já amou
dos conceitos que criou
da força garantida com os erros
da consistência que tua pele recebeu
das tentativas que não se foram

"Livra-te e desista das pendências"
das questões sem resposta
das vivências ainda não explicadas
das curiosidades que te prendem
dos sonhos que ainda não vieram

"Esteja firme incorpóreo inmental"
deixe seu corpo e dele as marcas
deixe para trás as tuas considerações
as tuas descobertas, criações

"Sê novo para meu império eterno"
e serei.
Para trás ficam minhas partes
mentais, animais, corporais
Sobram os sonhos que tive
as pessoas com quem estive
que virarão sombras a mais
meu passado inteiro na forma de um sonho
e nada mais.

3/30/2009

Excesso

"Dê-me o excesso e eu o bebo
me mostre tudo a mais
que no excesso me afogo
e no que além vejo, nada vejo mais."


A megera falível descrevia
umidamente e cativa a mesma,
mesma história, frígida e cálida
Mera fria rejuvenescida ômega-minha

Sensualizava a criatividade e a fazia
espalhar e faiscar nos retumbantes olhos
d'outros e de memória minha, comparativos
a gigantesca especulação onírica

Creta não melhor faria sangrar e exibir
a pseudo-surrealidade que me levava
e no sereiano canto eu dormia e sorria
atravessando campos que poucos viam

O véu ilusório era tocável, sólido e real
incontestavelmente paradoxal e ali
me abraçando, me esquentando, me em mim
e no espelho a reflexão me mostrava

Nada mudara além do etéreo clarão
que me aureava e circundava
no meio eu mesmo como sempre
como nunca mudava meu em volta

Maarah, o tenro anjo de Alah me veio:
"Te pertence e tudo é teu.
O que ainda não, lhe dou de bom grado.
A gratitude não lhe é cobrada,
a obra é de graça, não queremos nada.
Tudo te pertence e é teu.
Será nossa apenas a confluência
das emotivas ondas que lhe emergem
de anti-inércia, anti-material
secretamente potentes demais.
O que nos pertence é tua vitória,
é teu encontro real."

De mim correram mentalmente as palavras:
"Maarah, não me prometas.
Não me tentes, não me cometa,
se em tanto início me canso já
e pretendo não por intento continuar.
Sou melhor menos tenso,
um tanto menor.
Com tanto que tinha já me contento,
no que me mergulhas sobro e transbordo.
Pena que tenho, de ti e da tua religião,
se de mim esperam a supremacia reta
e lhes entrego como resposta
o contentamento torto
com o que tinha, com o pouco."

Brilho fortemente ainda
e por tempo que virá
mas melhor serei, e hei,
se menos iluminar e no escuro puder deitar,
calmo, dormindo, apagado e finito.

3/24/2009

Distorção da distância imposta

"Eles ainda falam que sabem,
mas dessa vez eu já sei.
Mais sei eu sobre no que interfiro
e no que quero intervir."



Esquenta inquieta tua pele, semblante,
à deriva das frígidas, negativas e prestas
correcionistas pessoas, lívidas.
Tua pele torrada as renega.

Se agita cada filigrana interna tua,
se reverte às potências convergíveis,
se estrangula, se contorce
quando se contesta à sociedade a tua biologia

Seria a minha liberdade, a tua vontade,
interna e natural, nascida e imutável?
Nossa crença na atualização
é infortuna se somos os nossos cromossomos?

As nossas mãos que se unem escorregam
pela advertida sociedade que entre estão
na forma de manteiga, dissipando nossa união
na provatória de que a distância é mortal

Eu a renego e renega tu o aviso
de que eu me firo e quebro a razão
mas não ouço e me desligo se te quero
e roboticamente me mantenho gravado
e repetindo incessante:
o que sei é que te quero
não me importa aonde e quando.

2/23/2009

Profusão

"A armadora juventude se pregou
e impregnou as brumas que se elevavam
e contagiou qualquer perséfone aliante
e qualquer mente, por ali passante."


Uma única ou várias cordas se saltavam
e frigidamente se indelicavam as cores
se tornando torrentes de fluxo e paixão
concordando o deslumbre e a prisão

O devanescer tenramente se desviou
e de duas malignações vigentes e presentes,
horas positivas horas não
se tornou a sensitiva profusão de forças

Desregrante da liberdade divina
tão persuativa, tão perseguida
me encontrei na negativa
na que eu encontrei prisão colorida

Era eu feliz por partes
e partes várias e constantes
inegávelmente eu era a arte
e não mais pincel e as canvas brancas

E de tudo renegado e aconselhado
nada tive de importante a concluir
a não ser que profuí das correntezas
que gigantes se encontraram sem trombo

Se era raiva ou maldição
ou impotência ou percurso
Era eu na multidão
encontrado no mundo

2/16/2009

Gratidão do decegar

"Quando os olhos se abrem
e o fim da escuridão acontece
a alegria das cores que te rodam
e do fim da falta que elas faziam,
é inexplicável o tanto que te engrandece."


Ser cego na multidão
não ver o caminho concreto
cair e se deitar na escuridão
não saber o que está cheio, vazio

A perdição e a ignorância na vida
se dadivam cada vez mais
mas ignorar a alegria que te impressiona
é negá-la com toda burrice que existe

Alcançar sempre se posta num ato heróico
mas tentar e tentar e tentar inconcluso
é se cegar no intento da desgeneralização
da conclusão de que acertar é raro

Mas quando por fim se acerta
não alcançando o topo almejado
mas apreciando a vista do meio do caminho
é acordar, abrir os olhos e enxergar

Ser feliz e não saber é a veia pecaminosa
das entranhas sociais humano-terápicas
Absorver e expressar a felicidade obtida
é ser o máximo de vida e reconhecimento

Ser feliz e saber é o máximo do amor humano
Tanto que meu peito quase não aguenta
e meus olhos se enchem de levitação
É ser grato por um fato gigantesco obtido
e pedir perdão por ele por tanto tempo ter ignorado
Obrigado, do fundo do meu coração.
Obrigado.

2/09/2009

Seguidores do descaso

"O que eu também já nem sei mais,
esse descaso todo,
é ser mais feliz e mais fugaz
que o universo todo."


Maria, Maria, das cordas brancas
que vais a fazer na primavera
se teu mal é a rosa vermelha
e teu bem nesta estação não floriu?

Que te encantas, vilã desnecessária?
Que te tomas, te faz global e séria?
Quem é você, Maria Gardênia?
Que sente você e com que força?

A ignorância, como disse tua mãe
na vasta superioridade senil
é a canção sem palavras
é a ópera matricial da vida

E porque seria a mais perfeita canção
aquela que se priva de palavras?
Pois que senão seria a música, a alegria
e a interpretação impossível, a ignorância

Façamos eu, tu, ele,
nós, eles, elas,
da nossa vida e do cotidiano
uma longa ópera então.

1/10/2009

Desperdício

"Minhas poesias de raiva sempre foram as melhores."

Reviro meus cálidos suprimidos ais
afim de entender e verberar meu álibe
para de ti me fascinar tão fixamente
tão exatamente, tão enjoadamente constante

Sequer quero mesmo a realização final
e me sufoco em tanta inovação
tanta experimentação estrondosa
tanta tanta tanta perdição

Medio qualquer sensação em descontrole
me ameaço, quase passo, quase passa
sequestro a sensação de descompasso
por você, nada mais que minha amizade

Um dia, como canto em reprises eu sumo
e com essa chantagem barata e dúbia
escrevo em meus livros o que era pra ser
e o que nasceu somente para me desapontar.

12/19/2008

Decadência Real

"Ela queria despretensão.
Ele supôs que seria possível.
O resultado não poderia ter sido pior."


A honestidade que faltava nas doses
de palavras e de suposições
gorjeavam por sobre os ombros
meus e indiferentes teus

A força que prendia meus olhos
de dentro dos meus aos teus
A tempestade de meu sono
a impassibilidade

Os assombros de vertigem por ti
e por tudo que a rondava, a marca
O que era você agora
O que em você amava

Você é a mão que me conduz por uma estrada
que dista levemente e sempre do normal
Cada palavra é um passo para fora de meu habitual
Cada segundo que te acompanho é imortal
nada mais sei, senão que te amo.

12/17/2008

Teremos

"Me demandas a arte que lhe fere
e terás pois que senão não me presto
e testo, para que?
Para ti, tudo que tiver de ser."

Ressalvo as nítidas fronteiras
de mim, de ti, de nós que somos dois
e tremo firmemente pois que sinto,
pois que sinto o tempo sem passar

De mim guarda mais que memórias
e não te lembras como lembra das horas
tens de mim mais que saudade
sentes fisicamente que me falta

É grande que sejamos quem somos
e os papéis que nos deram,
e que geram tão ofuscantes sensações
Falas que nos propõem.

Retamente nos atinge em cheio, em vazio
o susto e a prisão das falas
Surgimos para muito e tanto
Como tanto não somos mais?

Seguiremos o cântigo do contraste
dos conselhos pessoais (que nos afligem)
ou seremos e simplesmente seremos
eu o barco, tu o cais?

12/10/2008

Estrofe dos 11 versos

"A rima é uma tolice.
Poesia não foi feita para ser ouvida.
Para tal são canções."


Em barganha com Deus nasci para ser personagem
da história que muito Ele assistia, aqui.
Ganharia eu duas certezas:
a morte, fim do infinito
o amor, duradouro até o fim da vida.
Tolo eu de aceitar, incerto que estou
de que morrerei, até que morra
de que amarei, até que ame.
Personalizo, pois se quebro a promessa
certo assim estarei de que não morro mais
e de que meu coração apenas emoções médias o arrebarão.

11/19/2008

Trovadoria Secular

" - Ana, ele me redescobre. Sempre!
- Não você...apenas alguém."


A faca inglória da benzedeira razão
corta a iniciativa bruta
que nasce do peito bretão
e da criança de experiência curta

A mão que adula e conduz o berço
educa e generaliza o respeito
e te obriga, te en-si-na
e te tolhe, te poda

E para você, dizem eles,
os imprincipíos governantes,
o que lhe cabe manufaturar
e modelar e a partir do que.

pois que (cuidado) isso acaba:

De súbito lhe foge a razão,
de tanta corrente e nó,
se hombrifica e levanta-te,
contra e firme a levada governista.

Se torna, crescentemente:
a vítima que estapeia o atacador
o monstro que se nega a grunhir
a mão que resgata o que se afoga

Se torna, eternamente:
o amigo que suporta e alimenta
o pai/mãe que enaltesce seus filhos
o filho que engradece seus pais
a eterna juventude que ri da vida
a beleza firme de um dia triste
(mas um e apenas um por mês)
a certeza de que tudo não passa fácil
mas a maior certeza de que tudo passa
e a felicidade de ser você mesmo
e de conhecer quem conhece
e de viver onde vive
o gigante que abraça e beija quem ama
que se expressa sem a menor aflição
e chora de alegria e tristeza com os seus

Se tornará tão grandes atos e forte
Tão desgarrado de mínimos
e tão estrela do norte
que não as rês negras da morte
nem os abutres da sorte
lhe laçarão demaziadas mordidas e cortes

Serás maior que e melhor também.

11/10/2008

Último passo

"Assim como o primeiro passo indica o fim,
o último passo indica um novo começo."

A firmeza que desbastou de mim
me desgastou pela sala, inteiro
me purificou do que não queria
tudo voltou ao começo de tudo

Você, cadê? Aquela pessoa
que nas vistas minhas era.
Você, que fizemos?
Que culpa temos?

Quando te vejo me traz sal à fronte
e no que te desejo, minha carne sangra
e no que te quero, a mim não quero mais
me perco completo e total

As grandes culpas de nos perdermos
são minhas, tuas e de ninguém mais
Mas nos perdemos tão forte e tanto
que talvez não nos encontremos jamais.

10/31/2008

Primeiro passo

"São treze segundos fortes
que arrebatam a magnífica auréola
que te cabe, anjo, que veio a mim
em meio à selva de sombras"

As certezas que te dou já são fortes
Seguras com firmeza a minha mão
e queres mais que segurá-las, as adula
e acaricia minha pele e meu coração

Teu clarão supera qualquer desajuste
tua voz canta as árias dos superiores anjos
teu olhar interfere em minha alma e a aumenta
teu abraço me faz ser maior, o maior do mundo

Ter você é a sensação extrema de intensidade
é ser eternamente luz e clarão dentro de seu abraço
é ser mais que som e visão quando nos une um laço
é ser muito mais que mero humano vagando na escuridão
é ser um ser melhor, mais verdadeiro e mais puro
Me torno por você mais feliz e esperto sem querer
Maior e menos denso, quase sem saber ou ver
Mais calmo e menos tenso, sem fazer o menor esforço

A felicidade que geras não se sabe explicar
só a aproveito muito e sempre e tanto
para que se um dia por invasão da maldade
esta vier a acabar eu lembre bastante
que um dia me tocou a felicidade universal
e que fui alguém melhor por e para você.

10/12/2008

Desimpedimenta rotular

"O conforto mora na filosofia."


Movem-se juntas todas as cáspias
morenas de jambo do Gabão
na dança da noite interna
cremando as frivolidades cristãs

Tentam os revoltos iglus e seus donos
trespassar e transferir a tanto branco
a negra veia e de viés despachar
toda mansidão putrida à imensidão de gelo

Se unem os marujos a braçadas
intentando inverter o curso das correntes
conferindo às remadas o pronto pranto
e as longas lágrimas amargas

Prolongam a noite os metropolitanos jovens
distorcendo o curso diário posto normal
se levantando passadas várias horas
e dormindo gastos de dança ao pôr-da-lua

Sorriem os presidiários a ponto de revoltar
mas tendo motivo, se tornam ideiais
E se riem mais por serem o expoente total
da quebra clara das regras normais

E sorriem juntos todos que revertem a ordem
e fazem da vida uma inconclusão
não seguindo placas ou ditos
ditando sua própria inclusão ou exclusão

E na independência de guia, serão mais:
as de Gabão, os de iglus, os marujos
os jovens, os presidiarios e os contraditórios.
Se portarão como genuínas formas de si mesmos.

10/06/2008

Carta à Martina Avan-Grael

"Martina é,
sempre foi e
sempre será,
a grande parede da minha vida."
(Martina Avan-Grael, p.123)

Martina,

se esta carta lês, ou já me fui ou já estou morto.


Há muito quis lhe contar e muitas vezes quase o fiz, que teus dois segredos me foram revelados por Guidal. E ruí em não poder lhe consolar, sendo eu a resposta para a pergunta que pairava por suas idéias desde a festa de setembro.

Gabriel não está morto. Ele veio até mim após o escândalo de sua mãe e me pediu as chaves da casa de Pitágoras. Eu as dei e lá está ele.

Martina...Gabriel não é seu filho. Seu filho sou eu.


Tobias Duarte

10/02/2008

Desafio do contragrado vital

" - Para que eu deveria deixar tudo que trouxe no carro? Nesta bolsa estão coisas que me protegerão do calor do deserto.
- E você vem para um deserto para não sentir calor, para não se sentir perdido? Para que se importar de sair de casa? Ou larga sua bolsa no carro e vive o que lhe ofereço ou fica no carro esperando as fotos que lhe trarei."



Sobem ao topo do monte Graal
as laicas soberbas virgens
temperadas com a obviedade do suplício
mas estranhamente sorrindo, felizes

Soerguem das plataformas geófagas
as hastes florais, sempre crescentes
verticais sempre e muito,
carentes das flechas de luz solar

Reabrem devagar meus seis karmas
que sempre guerreo intentando fechar
e inundam meus concernes com idéias passadas
com festas há muito terminadas
festas que ainda lembro o que tocava
e repito a dança, na solidez que me confiro
representando o ato sólido do sonho morto
sendo o sonho mais real que existe

Desmudam os monges do voto silencial
e pregam em revolta as tuas repetições
que se expõem muito absurdas
e revoltam as pessoas acordadas

Correm todos, cegos, pela corrida do mundo
e transitam vezes rápidos, vezes devagar
vagam sempre sem rumo, por mais que tentem rumar
se perdem e choram, uns se riem da perdição
e são os que riem que ouço e quero
os que estão e sabem que são perdidos
e não querem se achar, nem nada encontrar
mas vagar cegos, caindo, perdendo,
correndo, sorrindo, de mãos dadas
separando do interno coração o medo,
da razão, que enlouquece a alma, o corpo

Não entendo nem reconheço norte
nas virgens de Graal nem nos monges mudos
não os vejo, não sei quem são
nem as flores que brotam do chão
Mas não entender é o maior truque
que uma mente sã escolhe para si

ou escolhe descobrir respostas e perder:
a sanidade
a sensibilidade
a crença
a inocência
a felicidade
a possibilidade.

9/27/2008

Memórias ao vento

"uma memória
sem uma parte física
é um sonho"

Dois dias de medo afligem
estes e os que estão por vir
na altitude da vertigem
rasas adagas vindo a me ferir

Seca minha boca debaixo
da chuva de palavras amargas
que me cospe e me suja
tão infelizmente

Trafego num mundo irreal
enevoado das coisas que não quero ver
e desfocado daquelas outras
que não admito serem minhas

Será um dia que tudo que virei será claro
e nada apagado, abalroado de nuvem estará?
E se para tal tenho que ver tudo perfeito,
mudará meu mundo ou mudarão meus olhos?

Desistirei eu total das estrelas que brilham
ou as trarei a mim tantas
que as constelações serão lâmpadas
e cometas abrirão força no meu teto?

Não enxergas o tanto que muda
e enverga meu caminho por hora?
Não vês que se até eu cambaleio
você será tombo contínuo na minha estrada?

E quando olho em minhas malas
e de nada mais gosto
as coisas jogo fora, todas
as liberto de mim e mim de delas
as solto e não mais minhas são
e os pedaços do meu passado que elas são
com elas vão
e menos eu eu sou
e menos histórias minhas tenho
e menos do que lembrar tenho
e mais perto de estar novo estou
de começar de novo
de ser eu de novo
sem o borrão da segunda tentativa
sem as falhas do desenho
serei o desenho no papel branco

as coisas da mala eu solto
e você e sua foto nela estão
nela estavam
voam pra longe da minha mala
voa você da minha mala
da minha alma
as coisas da alma eu solto.

9/16/2008

A mentira que não me contam

"a condição única que une todo ser humano
é, não a certeza da morte, mas a da solidão."



Tentaram fragmentar minha janela
e destroçar a paisagem dela
com as mãos arcadas em forma vazia
deixei

Forçaram-me a inspirar fumaça
enebriado rejeitei, tentei
com os olhos vagos em forma de bússola
deixei

Tentei olhar fora da minha janela
e enxergar qualquer coisa certa
com os olhos vagos apontando o norte
não enxerguei

Forcei-me a lançar um cigarro
aos tragos me enebriei
com as mãos arcadas em forma de prece
não me achei

Sozinho num quarto vazio
cheio de passado e outras histórias
me tornei a parte que lembra e revive
as tristezas e as quebras que tive

A condição única que tento romper
se fortalece a cada ano e me ganha
e as tremendas forças que tinha
se esvaem a cada história que conto
e se incorporam a mim, todas
me tornando o livro de minha vida,
a cada página que escrevo,
chegando mais perto da página final,
sozinho.

8/26/2008

Cartilha da tentativa

"cada vez que o mundo entrega
um presente ou um agrado,
agradado inteiro não será,
mas um dia talvez seja."

Me acorda com teus galhos roçando
a pele que dura te impedia
e com o orvalho chorando
me molha e me desanima

As provas que te peço me as dá
e nem mesmo com tal me firmo
se as provações que indico
não sei se me servem mesmo

Se não sei quem sou
como posso certo
esperar meu outro hemisfério
de encaixe como foi Tristão?

De espera me banho e me calo
e passo o tempo que me aparece
até quando souber certo o que procurar
em você ou em outras

E sabendo terei mira
e com olhos de água limpa
enxergarei meu alvo
e atirar será prático

Será quando de tentar serei privado
e também você será
e tudo naturalmente fluirá
Seremos com as cordas invisíveis amarrados.

Nesta data começa uma nova era
da qual só me separo de ti
não por nossas causas e decisões
mas pelas do mundo, tal a morte seria.

8/11/2008

Educação venosa

Metade de mim é amor
metade de mim faz tragédia
inoculo essa dor
numa artéria média

e na grande inoculo o estar,
que eu colho de olhos fechados,
que é integro enorme e profundo
e me completa de todos os lados

e deixo para assuntos você e mais
as pequenas veias que me regam
pois se uma falha me machuco
mas não morro, só me educo.

8/10/2008

Morena Linda


Se minha brisa despenca
venho logo te cantar
e vem de ti, sobe um vento
e um calor devagar

Sinto falta do teu sopro
qualquer barulho eu escuto
tenho certeza de novo
hoje eu só quero você

Se minha calma se enerva
dela eu sei me livrar
tomo um café e me agito
brinco de mesa e de bar

Mas teu beijo é o que eu quero
já sinto meu peito aberto
te vejo vindo, te quero
hoje eu só quero você.

7/29/2008

O que é.

Saudade vem da menor intensidade do momento atual comparado com a lembrança distorcida de algum momento passado.

A menor intensidade vem de um confronto entre imaginário e real, sendo que o poder da figuratividade é superior às condições de vida.

O momento atual é a realidade, o momento passado é uma realidade distorcida e com grandes espaços em branco.

Nos grandes espaços em branco, são colocadas cenas falsas ou prolongamentos de cenas verdadeiras.

Preenchidos, os espaços em branco formam uma realidade inexistente, transformando o passado em fantasia.

O desejo pela fantasia é a admissão da imperfeição da realidade conjunta com a ânsia pela anulação dos problemas e falhas.

Saudade é a ilusão de que já se viveu momentos de perfeição em par com a vontade de revivê-los.

A aproximação da perfeição não provém da saudade, mas da vontade.

Vontade é o querer, baseado em vivências passadas ou contemplação de exemplos externos.

A fragilidade da certeza da vontade, apesar de gigante, é mais eficaz que a saudade.

Testar é a chave da felicidade.

7/24/2008

Visualização Criativa

Se pelo que tu fez meu destino se criasse
e se fosse você o movimento da ação
andaria subindo os andares estelares
com as palmas da branca rosácea nas mãos

Restaria nada mais que graves endócios
gravados na multidão de sulcos
que exibem minhas mãos e meus pés
do árduo labor sentimental que me ronda

Fixam em mim os olores conjuntos
do ar, mar e continente internos a mim
e espalham para outros abrangendo meu envolto
e misturando-se aos dos outros olores

E se sentes que meus lados vibram
e meu contorno reverbera o que tu sentes
nos juntamos simplesmente em nossa dimensão
visualmente por nossa vontade criada
e seguimos duplos eternamente atualmente.

7/22/2008

Comigo

"Aos novos homens
grandes conselhos se darão,
antes que sejam impuros
e felizes demais."

Não sinto mais aquela mistura
de normalidade e insensação
desde quando percebi
em você felicidade visão

Proibidos fizeram nossos passos
e nos amarraram socialmente
e nem preso e subjugado
me esqueci do que em ti vi

Escandalizaram nossa alegria
nossa amizade verdadeira e pura
acharam exagero demais
pintaram de nós o quadro censurado

Mas se paro e penso não nos vejo
destruindo o mármore da vida
nem nos queimando aos poucos
quiçá nos destruindo internos

Sei que não ligo mais, me desligo
do que falam os errados que me julgam
e feliz contigo sigo e sigo forte,
contigo ao meu lado sorrindo da morte,
pois mais vivos que somos ao juntos caminhar
não há nenhum ser e se há, conosco virá!

7/12/2008

Destino pessoal

Em minhas memórias não está presente
tua imagem escarlática triste
mas meus olhos, ah
estes te lembram bem

Falácias me induzem a te discordar
mas arraigado em meu sangue
e preso nas paredes de meu interno
estás e ficarás por não sei quanto

Seja continuamente por tanto
mas não nos inflige eternidade
e logo sem aviso nem meus olhos
nem tristeza alguma
de ti me fará recordar

Nos graves da canção jazz que ouço
resido e de lá não saio mais
e se de tristeza me banho diariamente
que seja de tristeza minha veste
que seja escura a minha áurea cor
pois melhor fico se decido ser quem sou
a ser outro que não eu para o mundo
para agrado dos outros e desagrado próprio

7/08/2008

Pedras e nuvens

Assisto tuas básicas restrições
feliz de cada canto que sou
e se sempre me inspirar aflição,
agitado, mas certo, saberei onde estou

Pergunto verticalmente se suas pedras
hão de virar chuva ou chão
e se resolveres aguar meus olhos
se será alguma vez em vão

Me trespassam seres que nunca dantes vi
mas calorosamente sei quem são
São os tijolos de pedra de minha estrada
e de pedra até quando será que serão?

Dos que vejo, os que lembro são nuvens
Informais nutrientes de um céu que não toco
mas são mais influentes e presentes
dos seres que converso e toco

As nuvens lembranças tocam a trilha sonora
da vida que construo de forma híbrida
mas as falas dos personagens são mais música
que toca em meu ouvido e não dos outros
e secretamente me estronda.

Mëin Terris Livahgt, Meu novo linguajar

Irak mëe s'ai beverege.
D'ai nougat bravaria mëe
i just'tua s'ai consteler
k'ni ignite severäe finai.

Serei eterno e tú não.
De tua força me liberto
e disperso tuas bolas de fogo
que no fim não são mais
que frias estrelas.

6/13/2008

Ária de Tristão

"if our two loves be one,
or you and I love so alike
that none can slacken,
none can die."



Me pergunto a mais intensamente:
que tinhamos nós antes de nosso amor?
Monstros ocos seriamos até então,
mergulhados em vãos juvenis prazeres?

Quando assim, qualquer prazer será falso.
Se vi por mim passar alguma beleza,
o que tanto almejava e tinha [vinda de ti],
era a mais pura fantasia por certeza.

Nossas almas no dia hoje se deleitam.
Nossos olhos queimam inteiros no cruzar.
Fogo de amor que aparece a quem circunda
e põe qualquer estado como pleno mar.

Deixe aos marinheiros o encontrar de novos mundos
e aos que não, deixe mapas, que novos mundos se mostrarão.
A nós interessará um mundo só,
onde somos nada mais que um.

Brilham meus olhos e vê qualquer quem quer
que brilho eu todo da cabeça aos pés.
Onde acharão pessoas dois melhores hemisférios,
tão bem firmados, sem falhas, sem restos?

Tudo que cai seu par não encontrou.
Se nosso amor enfim se torna um,
e/ou se for completo e anormal,
nem eu nem tu cairemos, serei eu e serás tu,
assim como nosso tanto amor,
constantemente imortal.

5/23/2008

Escapatória do agito

As formações que me encaravam
se reviravam sob uma luz neon
revertidas num solar magnético
sub-entretido estático som

Me restavam nobres destrezas
e relutava eu à cobreação do último
Sentia cada firmamento preso
inútil sob a unicolor supernova

Meus casos de criação demitiam
a realidade que me acalmava
Surgia a precisa curva sensacional
em detrimento à sempre onda racional

O trânsito do que era permitia
e a leva de vividez sacolejava
na dança da surrealidade
o que tinha dentro do que queria

Meus nobres ensejos se riam
e da novidade fiz festa toda
na revolta do que me atingia
sendo eu adverso sub-moda

Quero continuar grande
supervalorizando a cena querida
transformando subitamente
a existência em vida

5/20/2008

Tocha

Não valerão mais pesares
que os passeios longos nos jardins
Abertas conversas universais
se passarão por mim

Abertos olhos silvestres
presos nas imagens cristais
Feito de plenos amigos tristes
onde ficarão por mais

Escolares tons em profusão
Confundirão tenuemente
Qualquer ouvinte normal
Ainda que dono de alta mente

Do olor desprendido se fará
uma áurea, uma névoa
Tão pouco enebriante que
não consciente se notará

No fim serão abraços tantos
que sentirá que ao lado passa
a áurea amorosa que emana
e saberá que carregas
acesa a tocha dentro

Balada da Imersão

Saúda tu a norte vertente
De assobios crônicos e perdigueiros
Dos pés dançantes ao baládico som
Presente tu no preferido cativeiro

Joga tua razão séria em teus olhos
e fecha-os para o som que vem
Tu serás os pés e braços se movendo
na formatura e cor que te convém

Uma vez temido para com tua desseveridade
seguirão-te os palhaços e meretrizes
Sugados por tua colorida forma de verdade
Adorando teu vário calor preferido

Sendo tu a Baca versão do mundo
não virão em tu cores cinzas ou despassares
Cobrirás tuas ventas com confetes de luz
e de cada cor nascerá uma parte

E se unires as partes que de ti nascem
a cada som que seu corpo reverbera
se tornarás a forma física da felicidade
de um tamanho que ninguém espera

4/23/2008

Possessão

Jaz na terra o inanimado pronto
e na cabalar água se varre o atol
inenarrável priori de se ventar
o sol, justo e posto céu solar

Guardadas respirações de um meio
nascido em ferro cortado e vagão
detrido da mais vária caloria
pedaços na boca do que era perdão

Sérias tulipas do maldizer
sépias de cor e vibração
a inanição predizida do ser
contornada pela sensação

Meias tolerâncias e ditas
estações de certeza cálida
Calados monstros sagrados
Fortes, sanguinários de agito

Virados em meia volta
superfascinados e estáticos
sem palavras tornando irreal
É a criação do maior mortal

4/16/2008

Taça

O inimigo se foi
restou o ar cobreado
as nuvens, delas lembrava
voava a luz do sol dourado

Eram agora eu, o céu e o vento
a vez de saber esperar
ou não querer mais nada
nomear o trato feito

Ao largo o que enxergo é o campo
vazio de rês e de mato
em cada canto um pedaço de meu tempo
e os cantos de todos meus atos

A áurea que me envolve é como a de um herói
que convoca uma ação e esta em si reage
não como um soco que invade os olhos
mas como a onda que se sente na boca de um beijo

O inimigo é em meu futuro nunca mais
qualquer de minhas ações trazem a mim riso pleno
Toca e tocará pra sempre em mim o infinito tempo
e a taça vitoriosa da guerra que venci

3/23/2008

A mente, a mão, o não.

Pedir licença não lhe garante a passagem
Pedir desculpas não lhe garante o perdão
Vestir maquiagem não lhe restaura a imagem
Se apaixonar não lhe salva o coração.

3/13/2008

Voz da menina Veloso

Se cada dia me fosse aberto
pelas andorinhas serenando
contigo ao meu lado acordando
firmando olhos de terra em mim

Seria minha voz um sinal
contínuo de minha emoção
que me invade feito luz de estrelas
sendo todas a nossa união

Desejaria a sobriedade do chão
A envoltura da clara névoa do amor
Quereria ser uma monção setembrina
que trombaria em ti num furacão

Eu bruta flor colorente falo
represento em palavras meu desejo
Inicio infinito discurso pessoal
do que de ti preciso

Não me venha com promessas
se meu coração tem pressa
de escutar uma razão
Minha agonia eu expresso
minha dor eu mesma esqueço
minha morte eu mesma peço
É meu ar, meu mar, minha ilusão

Se de tudo a flecha negra não nos ferir
A garganta alto soará amor
Independente nos levaremos
Assim unidos perceberemos o mundo

3/07/2008

Iluminar

A refeição das puras estrelas eu como
Absorver a lua eterna pelas mãos
e no chão de água que se refletem os astros
piso, piso eu, nos cometas desregrados
e me invade o imenso clarão do universo
dos pés até meu coração

2/23/2008

Motivos

"Rezei sem motivos
para ninguém ouvir
me afligi de medo
quem poderá me sentir?"

Calado e posto inteligente
perecia banhado em solidão
Numa certeza absoluta
Não há martírio em vão

Lutador guerreiro foi feito
nas guerras torturas se obtém
Afastado em paz e sozinho
se infesta na mais nefasta prisão

Berrador não sabe cantar
apenas de gritos se faz
valei de espadas e socos de escudos
sobrevoante não sabe dançar

Na paz dos campos
clama a tempestade
a rês calma e exata
clama à peste inferir

Traz a suplica por altas
e estrondantes sensações
Não sabe nem quer ser calmo
Quer ser o tremor das multidões

Permanecerá sempre flutuante
nunca ao chão, versão inaflita
Libertando e mostrando repetidamente
o furacão que dentro de si habita

1/30/2008

Reerguido


São longas as datas
que me abstive do sol
mesmo queimado tanto
arrisco-me a refazer tal

São longas as datas
que fiquei sem andar
mesmo com pernas quebradas
refaço meu caminhar

Foram diversos séculos
sem nenhum enxergar
corro ao sol de olhos abertos
não penso mais em parar

Não fossem tantas quedas
firmadas em frequência
meus pés seriam nada
faria pouco da sobrevivência

Agora pois não haverá nenhum forte
capaz de me provar
que passarram as quedas que tive
Redesenhei todas as minhas linhas
encontrei meu mais profundo corte
chorando aprendi a chorar
Nem que a simplicidade curandeira me cative
serão agora infinitas minhas chagas
será infinito meu caminho
Buscando sempre o mais intenso e incômodo norte

1/24/2008

Grande afirmação

"Seremos livres, dizia Marx,
se não pertencermos à eles.
Se pertenço a mim mesmo
e a você e você a mim
e por fim você a você,
tão e tanto e somente,
seremos livres também."




Vamos fazer do sonho um lugar
vasto e inteiramente real
Incrivelmente brilhande por abstrato
Simples, envolventemente normal

Abertos livros, completo e final
Unicamente tolo e pertencente
Toda a alegria do momento
Corajosamente não proveniente

Um corpo jogado ao ar
livre da imagem tênue
explosivamente linda
uma crase espiritual

E seguindo o instinto fatal
seremos animais conjuntos
nas mais reveladoras formas
abrangentemente desprotegidos
livres da advocacia social
os condenáveis menos errados
os admirados por despretensos
os seres idealizados
na mais viva utopia
Utopia será nosso nome
se nomes quisermos ter.


1/11/2008

As árvores

Dançam as árvores, sob o som dos meus pensamentos
Provando que cada memória vale pelas farsas
Agitadas pelo vento que me ouve
Indo e vindo aos meus olhos, para mim

Cada folha é uma lembrança e vejo árvores
uma floresta imensa para meus olhos fechados
Ouço claramente cada uma delas dizendo
"foi válido e dançarei ao teu vento"

Cada palavra que exerço se confunde com o que vivi
e se digo por pouco tempo que fui valente
nas lembranças viro um leão sensato
e transformo finidades em infinito intermitente

Sob a sombra de minhas árvores memorais
me delicio da falta de sol que faz
Calmamente com as mãos apanho folhas mortas
Não todas já que não me toca o infinito tempo
Mas as que alcanço e com palavras simples
mortas já não são mais
e verdes transformadas voltam vivas
a dançar sob o vento de minha vida

1/01/2008

Para conjuntos

Para teu amor, fluorescencia madrigal
e que nos ventos se ponham vozes
Serenos casos e flutuantes risadas
A vez certa para se agradar

Sujo de tintas, vozes e palavras
envolto no manto de abraços
Sorrindo, enquanto lágrimas nos olhos
Abraçando, beijando, abraçando

Violentamente intenso
lentamente se tornando sábio
Entendendo cada coisa totalmente
Humanizando seu caráter animal

No alto de seu ar sentimental
descobriu-se amando pra sempre
Ele que tão curto e impontual
de amores curtos e breves
terminados e termitentes
Viu-se totalmente apaixonado

E nem por pessoa ou por animal
e nem por uma só e nem por mortal
Ama um conjunto que não se acaba
Ama sua família, um conjunto imortal

12/05/2007

O fevereiro mais constante

Beijando as peças de um campo de trigo
um vento cantava pra outro escutar
De invisível a bastante físico
tomava dos trigos a forma e o mostrar

Apenas passante quando sozinho
Usava os seres para se iluminar
Retumbando em paredes impróprias
Fazia seus o dos outros caminhos

Impessoal e mimetista
Nunca tentou explodir em cor
Tornou-se figura contemplativa
Parece que nunca sentiu o amor

Fingiu personagens tantas vezes
que cada mais um se torna mais
incapaz de reconhecer sua real vertente
de saber se si mesmo consigo trás

E adaptado em meio ao tumultuo
não mudará pois se sente importante
se sente único, inesquecível e culto
se sente o fevereiro mais constante

Extrema unção

Bravejava o ansião tanto sobre emocionar
e o pequeno jovem se ria tanto
dele brotavam só materiais
cantava a simplicidade real

O ansião franzia sua mente
se perdia nas falas do pequeno
que brilhava, mas fosco
pela beleza da ingorância

Até que ponto seriam iguais
as felicidades opostas?
Um tão emocional,
outro tanto por matéria e materiais?

Entorpecido então agiu o mais velho
Num abraço inverteu as sensações
Sentiu ele a pele e o que era o menino
e o menino se inundou de emoções

Um se perdeu, com o novo que sentia
Outro sorriu pela sensação lembrada
No fim do abraço apenas um sobrevivia
Outro, tão jovem, se sepultava. E renascia.

Broken Rewind Button

Todas as horas que me sinto em paixão
Ressoa em mim uma coleção de tons
São as letras escritas em nossos corações
Soando como música num surreal aparelho de som

E canto tão bem esta completa canção,
mas em solidão não consigo cantar
Minhas palavras só saem de mim
se minha mão a tua consegue alcançar

Sozinho tudo que faço é parado
Nem meus passos vão a algum lugar
Minha música vira uma reza
De joelhos, pedindo pra te encontrar

Meus olhos vêm tudo mais escuro
tudo que encosto não tem calor
o que me diverte é limitado
quando me machuco sinto muito mais dor

Mas o pior de tudo ainda virá
Será numa manhã quando acordarei
Cantarei sozinho qualquer coisa
e sozinho, sem ti, saberei cantar.

11/26/2007

Único a dançar

Houve um dia que tudo se amarelou
mesmo de olhos fechados tudo se escondia
nem som nem vozes
difícil de se ver, nada se ouvia

Meus chinelos jogados ao chão
meus verbos todos dançando no singular
fios e fios conectando peças
minhas peças desconectadas do ar

Um abandono fosco desolava meu lugar
uma unicidade plana não parava de tocar
músicas que antes cantei sobre mim mesmo
sobre o que ouvi dizer e o que aprendi a falar

Meus sentimentos baixos se instauraram
Eu, sempre único, mesmo acompanhado
Lutando, mudando e tentando mudar
Acreditando todo dia e tentando acreditar

Para tudo que não via sentido um precisava criar
Toda vez que paro tento me movimentar
Mesmo com meu corpo parado
Minha mente não vai mais parar

11/22/2007

Variações

Por todas as vezes que sentei ao sol
nenhuma delas ceguei-me tal
qual agora me enfrento e estou
tal e qual respiro e sou

Teu mar de luzes que salgara meu distinguir
também me priva do ar que não mais sinto
E as mãos lutando se cansam tanto mais
só um deserto oceânico me circunda

Mergulhado em mortidão, assumo-me refletor
e cada mínimo ponto de luz retumba e te atinge
enfim estou único e sobrevivido
e tú vai se cegando com tua própria expansão

Solitariamente universal trabalho cada força minha
me transformo na maior forma e na mais rara rima
me pareando com gigantescas unidades frias
derretendo cada antigo ponto morto de energia

Me sobreponho e aceito tua reza a mim
concedo futuros frutos e sobriedade
te dou um banho de sanidade
e juntos, inundados de variações
nos tornamos iguais.

11/14/2007

Good Night, Goodbye

"Cada dia de nova criação
crianças novas virão
Coloridas com nossas cores
Cantando nossa canção
Serão crianças lindas
todas, nossa criação."

Suas lutas, capitão
são trevas e ferrenhas pardas
lentas e covardes navalhas sem corte
penetrando em seu coração
totalmente lentamente

Haveria de ser carnaval
se tudo congelasse
mas nem gelo nem falta de ponteiros
faria ser pra sempre seu animar

E em que frasco ou vidro grande
tamparam seus sorrisos, old man?
Que força e tapas usaram
para serem tão desanimadores de ti?

Haveria de ser um inverno
sem fim e mortal
lacrimário e passional
não fossem tuas novas e noventa
gargalhadas displicentes

Para sorrir ninguém precisa de um coração
Eu sorrio, eu gargalho
em ira ou feito de apertos no coração
Não me contenho a rir e rir
se à minha beira beira uma lágrima

Sério me conforto
que já não sei mais chorar
Mas sorrio em horas fatais
dilacerando-me a cada som
Mas nunca chorando
de máscara posta
sorrindo e sofrendo
gargalhando e sangrando
ferido mas nunca morto
destruído mas nunca pouco.

11/07/2007

Velado Portifólio

"Nem o melhor jogador de xadrez
conhece todas as jogadas
ganha todos os jogos,
joga sempre consciente,
domina a si e ao jogo,
joga o jogo e a jogada."


Sua voz tão boa quanto mar
seus olhos fazem correr
qualquer fervor épico
qualquer força vária
qualquer outro olhar

Mas não seria minha a reação
A ignóbil, porém cheia retratação
Seria meu o olhar retorno
O cuspir nos teus sapatos marrons
O reverberarde teus tons e contornos

Se fazem minha porção esmagada
meu grito será sempre esganiçado
em meio à dor e suspiro
reclamarei do meu sangue num ato lírico
numa versão de mim abafada
num olhar, numa exclamação calada

Meus temores eu exponho na prática
As respostas, as julgo a mais
e mais fortes que duzentas mágicas
De mim saem palavras de uma fala voraz

Sou ser intenso demais
muito para mim mesmo
muito mais
e por tal vago a esmo
sozinho de ninguém comigo
já que nem eu comigo mesmo consigo.

10/31/2007

Aurora Solar


"cause dor, cause alegria
nunca senti uma emoção tão densa
cause sorrizo, cause pranto
nunca me senti tão vivo"



Foram negras vazões
de tortas e lentas faces
Unidas numa só impulsão
As ondas de todos os versos
numa só versão

A união poderosa crucial
O tão tesouro perdido amor
Quando se imagifica real
esgarça cada ponto calor
Expande a infinito teu corporal

De planeta refletor, uni-corpóreo-mental
Te tornas a magnificência idealizada
O universo inteiro, etéreo e não etéreo
Numa única versão cristalizada
Universo inteiro num só corpo

10/25/2007

Demon Days


Num último berro lascado
morreu dentro de mim um dom
de firmar eternos prazeres em frascos
de tornar, no mais inocente tom
o amor palavras

Nascem agora, pois é de lei
os patrícios generais em mim
com governação inlibídica
e superposição emocional

As frasquetas se enevoaram
as mamelucas se aquietaram
dançou nada o tangueiro irmão
calou-se o tenor operal

Minhas asas se arrevoaram
minhas folhas se esgarçaram
meus frutos estragaram
minhas sementes se esmigalharam

Mutilaram minhas duzentas vozes
e deram-me personalizada uma
Bem maior e mais forte
Tanto quanto uníssona e profunda

Meus olhos não são duzentos áses
meus fervores se distam da carne
meu óbvio se tornou neural
meus cabelos têm um negro fatal

E as cores que meus olhos tinham
de cristais e cristalinas águas cândidas
Se todos amarelaram intenso
E num laranja fógueo estremesso

Em mim ronda uma emoção
Única e sozinha, como a voz minha
mas de tão gigante vazão
que morrerá espiritual e mentalmente
todos que meus passos cruzarão

Ronda em mim a serpente em chamas
e não mais angelical pereço
De meus dedos sumiram os beijos
das Liríades abençoadas
Se tornaram as gotas de sangue
mais pérfias que eu conheço

Minha saliva pungiu veneno
e minha intenção há de matar
Sou o anjo caído dos céus
Sou aquele que queima sem queimar

10/23/2007

Hypper Twin Soul

"A mais linda delas virá
e será tua parceira desde o começo
desde o primeiro instante
desde o primeiro sorriso
desde o primeiro olhar"


Sozinho por várias galáxias
me competia voar só
Até ver alguém de tão colorida potência
de tão óbvia decadência
senti vontade de chorar

Mas gritei e gritei tão alto
que as estrelas ao lado se assustaram
pararam de brilhar para nos ver
e se assentaram na platéia
e riram de nós
se tornaram planetas ao nosso redor

Nosso abraço explodiu supernovas
buscamos os lugares mais fortes
estamos juntos
nunca sumiremos
e dançaremos sempre e tanto
que até mesmo o sol terá desencanto

Nosso par fechou olhares
exigimos óculos escuros
e protetor para a pele
porquê de uns dias pra cá queimamos
queimamos de tanto brilhar

E mesmo sujos e sem glamour
nossa risada é mais feliz
e nossa alegeria alegra mais
nosso poder esbanja futuro
e estraçalha inveja
pois integramos ante excluir os outros
amamos ante odiar
cantamos ante falar

Descobrimos a chave da felicidade eterna
Nos encontramos
nos libertamos
nos permitimos
nos gostamos
nos apoiamos
nos amamos

E nosssa energia marcou o mundo
e essa marca ninguem sabe tirar
Sou feito de você e você feita de mim
Nossa mente é uma só
Minha mão quando encontra a sua
me faz descontrolar
e loucos hiperpotentes pulamos
sem nunca as mãos soltar
sem nos importar
sem nunca nos importar

Pois mais importa meus olhos no seu olhar
meus pés ao lado dos seus
minha mão na sua mão
meu riso nos seus ouvidos
meu abraço dentro dos seus braços
Meu amor dentro do seu amar

10/06/2007

As Horas

Cada pequeno risco que sai de tua voz
desenha no ar uma nota iluminada
E seu iluminar não só ressalta minhas cores
mas também as faz vivas e estridentes

Ficarei num dia qualquer
rouco por tanto libertar palavras
e diretas como flechas voarão a ti
estas densas palavras certas

Noossa figura fluturará tão densa
que nenhuma moldura será tão forte
que nos enquadre e nos guarde
que torne estátua nossa crença

Nosso amor ultrapassa o espaço todo dia
se alonga nos ponteiros temporais
se torna infinito para todos os tempos
se torna gigantesco, maior que o mundo

As aves de espírito

"Mais vale um sorrizo
para causar medo
que um grito
para fazê-lo."


Revoadas tortas e acabadas
Perfeitas, inexatas, racionais
Rosas desespinhadas
Patrulha desarmada

Nos braços que levantados
surgiam veias de emoção
pendiam punhais e mãos
e nada de ataque era celebrado

Diante das focosas Liríades
Abençoado de energia neural
tendi à maximidade do mundo
pereci ao intenso mau

E nadei em ventos negros
Me deliciei de frio
Sorri das feridas que tinha
Me postei frente à armada
e berrei

Nada mais vi que
olhos espantados
e sons de silêncio

9/10/2007

Seventy

As vozes celestes não calam
e bradam mais alto e mais nítido
notas musicais e vozes pardas
elevando minha força-espírito

Farfalham as asas calmas dos anjos
e dos mesmos anjos surge um sinal
uma calma luz traçada no meu olhar
e a voz de minha mãe, um fluído verbal

Posta em várias iguais ternuras
Terna em eternas partes matrizes
Imensa no contra-golpe imediato
Eterna na amor do filho pródigo

Dançam anjos e criaturas celestiais
Sob o som da voz de minha mãe
mas se riem do retorno de minha voz
rouca, grave, errada e fraca

Mas serão firmes as próximas notas
e valentes as palavras que sairão
Retumbantes as versões expostas
E grandes as reações angelicais
Cantarão e dançarão mais
E chorarão de Alegria os que sentirem
a áurea que nasce de mim
e de minha mãe
e de minha eterna calma sorrida
e de minha mãe
e da minha felicidade instânea
e de minha mãe
a áurea de minha mãe
setenta vezes maior...

9/04/2007

Never again

"Nem mesmo uma explosão nuclear
libera tanta energia quanto o ódio."


É uma imensidão que meu corpo não
havia experimentado até então
De fúria que nem algoz vil
destilou por entre seus humilhados

De tú não espero mais que ações falhas
que podridões nas atitudes
que criancice na fala
que paradições nas horas múvias

A tua alma inadmirada para nada serve
seus olhares de plástico nem mesmo me seguem
tua criatura interior é fraca
Tuas mãos nem mesmo sabem o que fazem

De mim teves muito mais do que merecia
minhas palavras, minha calma, meu sincero olhar
mas nem em mil anos seria tú capaz
de alcançar tal firmacidade e complacência

Estou indo embora, para longe de ti
Desisto de esperar te tornares alguém normal
com noção do que palavras e atitudes causam
a alguém que espera de ti amor e situação

Estou partindo e lhe tirando o posto que tens
Destituo-te de presente em minha vida,
de importante, de lembrança querida

Não suporto mais sonhar com brigas que
reais deveriam ser
Não suporto mais acordar sufocado
louco de vontade de te matar

9/03/2007

Áurea liberatividade

"São mulheres desgraçadas
Como Agar o foi também,
Que sedentas, alquebradas,
De longe,bem longe vêm.
Trazendo com tíbios passos
Filhos e algemas nos braços,
N'alma lágrimas e fel.
Como Agar sofrendo tanto
Que nem o leite do pranto
Têm que dar para Ismael."

Abram as vagas resvaladas velas apagadas
para que sejam rijas chicoteadas moças gentis
que calam quem de fronte forte constela
estrelas caídas sem brilhos hostis

Levantai dos túmulos de medo
suas forças e seus segredos
Moças lindas do deserto de laços
façam brandir noutras faces teus traços

Imperosas amazonas ocidentes
trabalhai teu lado serpente
Enjaule a ignória presença do capataz
que por tal se torna rota e fugaz
Completa tal façanha serás unida em ti
Outrora escrava, agora Rainha de si

8/20/2007

Aquelas

"Nestes vales que perdem a calma
naquelas horas de súbita raiva
exatas sentiam-se as horas
paradas estavam as marcas"

Se toda vez viver fosse assim
exagerado, exibido
aproximado, investido
teria cheiro de várias mortes

Ignorar as vantagens é tal
animalidade que se assim me faço
animal me traço
rompo com meu estar igual

Se sempre igual ficasse porém
muito humano seria, sempre,
e no nunca usaria meu não pensar
Para que então corporal na Terra navegar?

Meu corpo nasceu para a morte
meu coração veio para o corte
Meu sentimento para despertar
Cheiro de muitas mortes me impregnar

Àquelas que me marcam
Àquelas que vagam minhas horas
Estas que me animalizam tal que
perdido e rindo me encontro
Agradeço com meu corpo
e com o que restar de minha razão

8/10/2007

É hora de sumir

"Não existe amanhã
para quem não existe..."

Existir demanda força
e poder de ilusão
Andam minhas forças
brandas

Correr vem de minhas pernas
mas gasta meu pulmão
Se não bate minha vida
por que correria então?

Sorrir não gasta nada
mas pede nenhuma ilusão
Se sigo sonhando direto
como poderia sorrir então?

À noite minha boca não cala
minha alma só fala
e não pára
e não cala
E cada fala gasta minha força
e cada dia me deixa menor
e cada sonho me degrada
em cada segundo me sinto acabar

Amanhã ou depois sumirei
e de mim só terás lembranças
Mas não ruim será
pois se me deixas ir
é porquê falta nunca farei...

8/06/2007

Vencedor e Rei

A amarga falsidade desce devagar
pela garganta e pelas vias
que mais são sentidas
vias mais vivas

A plasticidade prende-te no lugar
torna-te tão não você
que um dia acordas com um estranho
em seu lugar
e não mais és capaz de o estranho expulsar

Cuida para que tu nao te tornes anormal
faça de você mesmo todo seu eu real
trata de dizer o que tens em pensamento
ignora total o que dizem em desprezo
pois apenas tu entende suas razões

Seja firme e crucialmente feroz
defenda teus ares romano e veloz
trata de tuas idéias como se órgãos fossem
seja tu imensamente e constante

No final verás que vale a pena
não fugir à luta
Que quem o rodeia ama
a teu verdadeiro eu
e serás então vencedor e rei de teu mundo

Herói

Mais nada perdura durante a névoa lêda
Sangue recolhe as inanições do local
Seria de Deus a idéia de refugar a alma limpa
e padronizar a alegria pelo anjo conseguida?

As antes muito alvas vestes do anjo então
cinzas de lágrimas se imundaram
e foram tantas evasões morais
e tantas bebidas dragadas
nenhum anjo suportaria
que dirá um anjo anormal

As asas fogueadas cada vez mais ficavam
e a nervosia fazia desolhar o anjo mais
e míope de raiva bravou o anjo direto a Deus
que crime maior Dele foi despertar
um ódio imenso por contrário ter sido à alegria

Nos ventos Gabriel ouvia
palavras firmes voando na brisa:

"Melhor se sofres, por não ter invejadores.
Fosse tu imenso feliz, desilusão vária causaria
e não só um mas tantos tristes estariam.
Melhor que triste fique apenas tú
e outros normais por não verem o topo ao lado.
Sacrifique-se e entenda que melhor vários felizes
que somente tu e teu par."

Álbum de cordas

Fernanda: Essa minha cara de terça-feira...esse meu humor saturado...pele parda...
João: De que falas?
Fernanda: De que falo?
João: Seus gritos acordarão nosso filho.
Fernanda: Que acordem. Ele faz parte dessa miséria.
João: Reclamas da vida mas a tem em condições. Deveria ser punida tú.
Fernanda: Ah como desejo que tal fosse!
João: De que falas, mulher?
Fernanda: Falo da minha falta de música, João. Da minha retumbante falta de alma. Vês a cor de minhas roupas? Beges como a falta de cores. Nem brancas, nem negras. Beges.
João: Que te tomaste mulher?
Fernanda: Nada João! Não vês?
João: Deixe de gritos Fernanda. Seu filho já dorme e nem respeito por isso tens. Engula teus problemas para ti e deixe que fiquemos em paz.
Fernanda: Em paz? São vocês imensa parte de minha vida bege! Se grito melhor que acorde, pois assim me ouvirá!
João: Não seria prudente lamuriar a um menino de adolescente idade. Não lhe faria bem algum.
Fernanda: Pois que não faça. Assim saberia ele que não passa de um inexpressivo garoto com nenhuma habilidade. Um ninguém!
Pedro: Isso é o que se passa nessa sua cabeça doente.
João: Filho, volte. Sua mãe não fala o que pensa.
Fernanda: Falo e hoje é a primeira vez que o faço. Cansei dessa vida inativa, dessa falta de lágrimas, desse grande nada, de ser secretária, vocês não fazerem nada. CANSEI!
João: Reclamas de uma vida boa. Tens saúde e reclamas.
Fernanda: Não me entendes nunca João. Preferia estar de cama, doente de morte! Assim ao menos minha vida balançaria, estaria na beira. Há muito não sinto mais nada João. Há muito!
João: Cala-te mulher idiota. Deverias cair de joelhos pela vida que tens.
Fernanda: Seria mais feliz se caísse, se chorasse mais, se sorrisse mais. Mas vocês dois não fazem nada, são duas almas vazias!
João: Queres perturbar nosso filho?
Fernanda: Pelo menos ele teria uma personalidade. Seria significante e expressivo, seria colorido, ainda que de negras cores, seria mais forte e mais emotivo, atingiria as pessoas mais profundamente, marcaria muito mais!
João: Estás louca!
Fernanda: Talvez esteja, finalmente! Não sabes há quanto procuro assim ficar!
João: PERTURBADA!
Fernanda: Isso! Perturbada! Louca, devassa, maligna, cruel, errada!
João: Por quê fazes isso?
Pedro: Por quê fazes isso?
Fernanda: Porque nunca fiz parte de nenhuma grande idéia em toda a minha vida. Eu sempre fui a média, a normal, a bege! EU ODEIO BEGE!
João: Pedro, já disse, vá dormir!
Pedro: Acho inacreditável que você não perceba que a única inexpressiva neste quarto é você! Se eu e meu pai somos tão média, não por mais seria do que para lhe agradar. Sustentamos nossos espíritos em jaulas para que não nos perturbasse. A nós sempre pareceu escolha tua ser tão tristemente normal. Culpa a nós dois a sua vida entediante??? A FALTA DE CORAGEM PELAS COISAS É SUA E TODA SUA!!!
Fernanda: Minha? ...a culpa... é minha? A culpa é toda minha...

Chorando Fernanda foi para sua cama. João preferiu dormir em outro quarto. Pedro deitou ao lado de sua mãe segurando suas mãos.

8/03/2007

Meu coração numa pulseira de couro

"Um dia no fim de sua vida
verás que o que passou por estupidez era tú
sendo o mais bravo e o mais forte
o mais corajoso e o mais nobre
e que se não se resultou num momento imenso
imenso nunca seria mesmo que racional ficasses"


Intermitentes cenários flutuavam
por entre o carro
que vermelho sangue corria
A alma que insuflava
dentro de um dos velhos carvalhos
era finada e possessa
vibrava tão intensamente
cantava hipnótica
como um rabo verde de sereia
tratava de manter a insuficiencia
de sol no carvalho tal
e distantes as raízes do solo

Do outro segundo carvalho
primeiro não tinha notícias
e tratava por sufoco
segundo que fosse distante
milésimo de segundo longe
Tremia transparentemente
sozinho ignorava as espertas
vozes de sua íntegra razão
abria ouvidos ao maldito
coração

Que razão um dia superará
o aborto senso de perda
a mão que treme pela ida de um
que nas mãos ainda jaz
que nas mãos, chora longo por poder perder
e quando perde portanto,
chora intenso mas pouco por já não mais ter

E quão diferente seria
se carvalho segundo de forma vária
estendesse teus galhos e tremedeiras
aos olhos de carvalho primeiro
e unidos produzissem tão grotesca energia
que nem mais vividos outros seriam capazes
de admitir a existência de tal
de conferir aos tais tal poder irreal
e tornar real a maior de todas as lendas
a lenda da união real

8/02/2007

Razões Várias

Nascer para morrer, viver a vida inteira...sirva de exemplo sempre, meu bom rapaz, nunca desista, sempre queira mais...

Saber quem te ama é bom, amor inteiro e forte, união, traz lembrança cheia de universo e canção, põe o tanto de calma precisa no seu coração...

Haverão no caminho negros cavaleiros, impondo a solidão. Pois que tentem quebrar sua luta, que tentem amarrar suas fugas, nem sempre eles conseguirão...

Pois que tentem cortar suas asas, te dizer palavras fogueadas, não preso estarás pois sempre podes reinventar, fugir dos abutres pulando no mar...

Numa casa completa estás fora, expulso se sentirás, mas vigia bem toda porta, que o amor não demora chegar, insista valentemente no esperar...

Grite seus gritos de dên'da'garganta, que assoados parecem mais mantras ou cantos proibidos de alegrar, exploda duas vezes por dia, sorria sem parar...

Se encontre mais alto que estás, finja vôo mesmo sem querer voar, represente-se ator de viver, atuando uma vida sem você...

Sempre prefira vapor à àgua pura, sempre prefira chuva a vapor, densidade de vida se cura, sensatez não funciona no calor...

Dar risada não é mais problema, viciar-se é coisa pequena, encontrar-se é tão menos formal
Coligar frases soltas é mais fácil, entender multidão é normal, entender seu passado mascado, desenhar seu futuro real...sem perder a timidez nunca, sem deixar de rir jamais...

No final, tudo deu certo. Suas escolhas foram leais, suas promessas foram cumpridas, suas verdades sao mais normais, você permanece vivo, mesmo que com feridas...

8/01/2007

O segredo de Samião

"Durante o decorrer da história,
Helena recebeu diversos nomes.

Há quem a chame de Lenore,
Julieta, Cleópatra e Isobel.

Já Samião, não recebia nomes,
mas sim um codinome:

O portador do Segredo."


Helena gritava forte
"Que quisera quando no mais
rompeste meus ares
quebraste meu cais?"

Com constante movimento bucal
Helena se expunha ao universo local
As guitarras cantavam da boca de Samião
suas respostas fracas
Helena dragava como vulcão

E nem era pela chuva que molhada estava Helena
Mais molhados eram seus olhos
e Samião que tão composto seria
mancava em sua direção
de joelhos cantanto perdão

Jorrava de Helena ondas de fervura
caiam todas sobre Samião
aos dois sobrava o gosto de amargura
sentido na boca, nos olhos, no pulmão

Envoltos de terra negra como dois vagos
Sujos dos pés aos fatos
Imundos pequenos seres
Maltratados, irresultados

Jorrava de Helena sua salvação
e a condenação eterna do imenso Samião
o tão grande
o tão herói
o tão fortuno
o tão mascote
o tão imenso Samião

Coroa se luzia opaca, amassada ao chão
as vestes antes puras e alvas
manchadas de vermelho e terra estavam
nos joelhos arrastos e rasgos
nas mãos suor
mal estavam as vestes do rei Samião

Helena erguia à luz uma espada
e berrava com ares de final
Dois passos até os abertos olhos do rei
e tão logo se fechavam
feria Helena a espada
bem no topo de seu coração

Daquela sala nenhuma criatura devia sair viva
não depois de tão brusca revelação
Nem a tão segredácia Helena
nem o tão revelador Samião

7/26/2007

Revés comportamental

Dançam meus olhos sempre meio vagos
mas minhas mãos impõem prontidão
e tal distância torce minhas carnes
e distorce forte a ânsia de meu coração

Se torcido pemaneço por tanto
é que não canso de me contrariar
mas se percebo que duas canções canto
me desespero imenso no meu variar

Quando me encontro mergulhado em medo
sustento firme os meus punhos de ferro
mas meu olhar vacante me dispersa
Por toda a luta me ponho calado
ataco à frente e não me desespero
pois que senão minha mente cessa

Lo que no sé

"Não há o que degradar
venho aqui te felicitar
reapareço quando tu chamar
Rápido como um estalo
preencherei o teu olhar"

Não há correntes sóbrias
se o vento quer me embebedar
Não há onda sequer no vento
nem há rajada sequer no mar
Que transforme o caminho inteiro
Que desvie total meu espírito
Que me faça recaminhar

Hoje finda a contentação
Cantarei só, de todo cume
Infectarei com o negro meu olhar
Revoaça farão os seres da noite
ao me contemplar

De inteiro anjo e pleno,
me rebaixei a demoniar
Esfarrapos cobrirão meu corpo
Negro será meu delusionar

Enebriou minhas audições
o espanhol oráculo:
'Anjo é todo razão
Demônio: Elevai teu coração!'

Elevei meu sentimento vezes dezenas
Endemoniei-me da cabeça aos pés
Queimou-me o oráculo:
'ésta es su naturaleza'

Viorar sem loftarása

Cada vez que te machuco
fogo puro te incendeia
e a chama queima fundo
te embala em minha teia

É da cercania a possessão extrema
mas mora na força radical
mora no imoral tesão
a paixão ferrenha

Entregue firme a condição terrena
Sublime toda sua missão
sê plena
de corpo, alma e visão

Ave!, espírito festeiro
venha completo e certo
desfaz minha distração
centra meu coração

Que juntos formamos teor
que espertos tomamos o mundo
para nós, envolto em fina flor
doces chaves e goles de mundo

Para que duvidar do céu?
pára de chorar
engenha o teu mundo
viva teu viorar

Pasto

"O beijo que me agrada é afeto
o cândido luar é luz
todo luau ruína-se ao raiar
escadarias morrerão retas"

Passagens serão completas
Luar de vermelha prata
Regerá o bajular da vela
A noite será meu rodar

Ê, que pastoril termino
navegaria lento fosse me dito
mas mares pra mim serão morros
navios serão os potros

Claros de vela me cobrirão os campos
vermelho de inimigo em minha prata
termino de passagem completa
mas nunca estatuado

7/01/2007

Vegetalmente apaixonado

"respire luz e conceda frutos
envolva tudo com teu forte olor
dê sombra a quem está junto

chore os olhos de alguém com amor"



Sob a luz das gregas fontes
e no luar dos vales e montes
escaladas as férias absolutas
e os punhais se livraram da luta

Raios de sol divagaram maiores
e nas grandes formosas flores arvoreiras
brotaram cores japonesas
águias vieram, criaturas branquepretas

Arrebatados os ventos solares do mau
refletidos todos com espelhos de paz
A vida dançava passos carnavais
correndo pra longe do grande final

Prepare seus momentos e suas visões
abra seus olhos e seu coração
o novo revêm mais uma vez
natural e claro
forte e constante
poderoso e imenso
Prepare-se pra mais uma paixão.

6/30/2007

Meu jardim regado a fim

"quem vem de longe não olha direito,
quem tá mais perto tá mais perfeito"

Perdições inúteis perduraram pra sempre
e porquê lá estariam ninguém foi capaz
de entender ou de explicar
Os choros inevitáveis se tornaram
seria realmente hora de acabar?

Iludidos sinos pratas badalarão sem perdão
Prata de fim, brilho final
Baianas dançando por toda a memória
revoltas e apagando todo o passado invernal

Como águas corredeiras foram-se
minhas mágoas maneiras também
Aprontaram-se diversas faltas novas
foram-se pra sempre, como as aquelas águas

E se por no fim chegou
seria então alcançável
a idéia de reinício
a imersão no descaso?

Nay becoming an alone kind
neither some shadowful york
must I run in paired hands
without slacken, without die.

6/16/2007

Por onde andei

"Revoltas maçanetas abridouras são
Revoltos mares naufragantes são
Revoltas pessoas amadouras são
Revolta é minha alma e meu coração."

Aonde será que eu estava
enquanto você me procurava?
Andava eu pelo vale que faltava,
segurava eu na trava que balançava?

Onde estaria meu eu
se faltava à vista de qualquer um?
Por que caminhos cantava eu
se ouvia a mim nenhum?

Em que posto se embriagava minha fé?
Em que físico se estagnava minha coragem?
Pra onde se moviam minhas velhas e novas idéias?
Em que espelho d'água pairava minha imagem?

Resposta feita rodou minha boca diversas vezes:
Sou eu o monstro das multifaces
que se esconde por trás de falas
que se engrandece quando tu te calas.

5/19/2007

Waitress weeping on a Cafeteria

You may be ugly, you may be sad,
you may be broken, you may be mad,
you may be stupid, you may be a bitch,
you may be strongless, you may be all full of shits,
you may be wrong in several levels, you may be cruel...
but all I need and all I'll care is if you want me
and if it's me the one you love...the real inside of me.
All I ask is for you to get to know me,
and to love what you see.
If you do so, then I swear I'll love you forever.

5/17/2007

Heartstorm

"Terei esperanças pra sempre
se meu cetro continuar de pé
Terei orgulho de mim infinito
se meus joelhos sangrarem fé"



Deste-me um abraço e um empurrão
mas era tudo passos de dança
Divertidas foram duas horas antes
das danças malfeitas e ditas
dos beijos divertidos e inteiros
boas eram minhas lembranças

E a alma que possuem os seres
perdurará neles e ainda farão festa
se de meu sorriso retirarem força e tristeza
se de mim receberem o que chamaraiam de fervor do mundo
e não seria bastante de todos a compreensão se por fim eu tivesse que amar profundo
se tivesse que sentir o mundo
se tivesse por vir o final
se tivesse que guardar todo o ser dentro do meu interior
se não expandisse
se não revelasse cor
se não me dibulhasse e soltasse meus grãos
se não semeasse meu amor, perdão e calma

Exijo demandas de menor escalão
para que perfeitas realizadas por fim estejam
mas se todas forem de força zeral
vida minha passada por branca será
e nada com força titanial será bom pra me recuperar

Tudo que peço são mãos de abraço
Na minha perdição clamo por corpos de laço
forças em mim e pra mim
universo em volta de mim

E será que tudo isso seria possível se gritasse forte e trovoar?
pedir muito e exijir cobrando favores divinos
pedir pra você voltar
pedir você pra mim
voltar pra mim

seria o suficiente pra escrever todas as linhas de meu caderno?
seria suficiente?

5/12/2007

Son-Song

"You were there when the stone felt
I loved you first
I was there when you had to go
I loved you so"


Bonitinhas risadas grená
Felicidadezinhas pela manhã
Acorda com vontade de cantar
Mamãezinha... melhorar...

Returned from the death
Came back to see her mess
Only saw a different thought
Got happier when went again

Perdidas estavam severais pessoas
E perdidas continuariam se não retornassem
Alocadas no medo do contágio infeliz
Presas em difusas confusões pensamentais

Mas melhores estavam quando viram
A maior superação categorial
A alegria por entre a queda ao chão
A partida estava superada

A filha dava sorrisinhos grená no velório materno
E a corja corval se indignava com a alegria da filha
Ela cantava em contrapartida das gralhadas ruins
"She went to a better place,
mamma mamma,
dear mamma I know,
I love you so but you had to go"

5/10/2007

Trava espiritual

Já me faz efeito a droga letal
Engrandece-me uma supernova violeta
Não é tema a investigação alheia
Faz-me rir a violência perfeita

Que seria das grandezas ruins
se não houvessem maus por vir
De onde nasceriam heróis
sem riscos ou explosões?

Amaria a flama se não roubasse a chama pra si?
Queimaria ou nada, se faria ou não?
Se montaria pra massa ou seria seu eu-viril?
Seria plástico ponta a ponta ou organismo vivo?

De onde vem a falta ou pra onde vai a sobra?
Vem primeiro o excesso pra concentrar sob alguns
ou viria primeiro a falta e logo a corrida maior?
Que será que vira, que irá?
O que no fim sobrará?
..ou faltará?

Ma-cra-mê

Mais terror que animal fúria
Mais feliz que pulo inalto
Mais extremo que duplo mortal
Mais vida do que graça

Crava em sérias partes adagas
Crava forte e únicamente
Crava com duas mãos inteiras
Crava para findar desespero

Me trás a derrota
Me faz canibal
Me força a inverter a força
Me transforma no mau

Mais crava me
Mai crav me
Ma cra me
Ma crame
Macramê

5/06/2007

Coral da força interna

" This is the way you left me,
I’m not pretending,

No hope, no love, no glory,

No happy ending"



Recuperar é a nova ordem

Reascender sempre, como velas mágicas
Repreender os erros passados,
Rescindir os antigos termos de um contrato ruim
Reiluminar os brios perdidos durante a derrota

Reunir forças que jogadas estava
Repartir pecados por entre glórias por vir
Destrinchar toda vontade de partir
E refringir as leis da desistência

Hei de correr e lutar
dificuldade não será barreira
Batalha perdida será combustível
para um maior amor que virá


Por você não crio a luta
pois amor maior é por meu eu
mas tu representas em minha vida uma certeza
e é essa que desejo
é essa que almejo
e que alcançarei

Porquê sou forte,
sou fera,
sou persistência,
sou paciência,
sou solidez,
sou calma,
sou todo firmeza,
sou todo alma,
sou completo guerreiro,
sem medo de batalha,
com fervor de guerra nos olhos,
com vida nas palavras,
com força de um trovão,
com ânsia de um vulcão,
com o poder das maiores tormentas na ponta dos dedos,
com todo o berro em minha garganta,
em mim mora a fúria e o perdão,
a força de matar e ressucitar,
tudo que preciso para no fim ter meu sangue marcado pelas luzes da vitória.

5/05/2007

Pós-conceito anti-humanista

"Deus fez o homem à sua imagem e semelhança"


Humanos gelados vão e vem
com os olhos feitos de atraso
com os passos vestidos de pressa
automáticos e congelados

onde está o sentimento?

A varanda é o que me resta
dançar meus olhos pelas montanhas
rezar em ventos e nuvens
mergulhar arrastado no azul do céu

quem sobrou?

Sobrou nada, humanos medrosos
medravam robôs os dominarem
pois que susto levariam
quando vissem que robôs viraram

o que sobrou?

Sobrou viva nesse planeta a natureza
monstros verdes e gigantes azuis
irracionais...tolos...inferiores
inferiores...inferiores?

Reverte-se a sensação de inteligência
O homem que se gabava por ter inventado calculadoras
que poderia deixá-la calculando pí enquanto tomava um sol
hoje quer ser a calculadora

Os animais, irracionais, estão tomando sol
enquanto os humanos se tornam as suas calculadoras
as árvores estão dançando no vento, felizes até.
Nós, humanos, estamos calculando pí de cabeça

Deve ser por isso que minha tosse tem som metálico
que meus passos estão ficando medidos
que meus impulsos estão ficando mecânicos
que minha mente parece um programa

Desisto da intêligencia
da racionalidade
da pureza de pensamento
da tal chamada claridade

Se preciso vivo no escuro
me torno bicho
que toma susto e age por instinto
que ainda se emociona
que não é de plástico
que chora
que pula
que grita
que berra
que gralha
que voa
que salta
que ruge
que sorri
que é animal
que não pensa
que se joga
que não se controla
que não mexe com essa merda de razão
que se arrisca
que vive no limite
que não pára
que protege os outros
que ama os outros
que respeita onde vive
que preserva onde vive
que não usa dinheiro
que não faz fofoca
que não induz ninguém a brigar com os outros
que luta as próprias lutas
que se orgulha de ser o que é
que não se sente melhor que os outros
que não se sente menor que os outros
que é diferente
que acha bonito ser diferente
que não tem medo de ser igual
que gosta de brincar
que gosta de viver
que aproveita esse presente inexplicável que nos foi dado de deixar de ser uma pedra perdida no espaço para ser um ser consciente, com capacidade de amar.

Humanos parecem cada vez mais distantes da imagem que um certo Deus representaria.

4/18/2007

The Conquering Lion (descaso de mim para um melhor você)
































O leão da menor derrota
erguido e punhal
duro sobre o penhasco
dourado imortal

Polvo, Rei da imensidão
rege com oito seu terreno
Como oito deverão ser minhas mãos
cuidando-te e protegendo

Claro ou escuro não me importam mais
Meus olhos fechados são mais febris
que as vistas cheias de cores
que me perder nos do mar tons anis

Cheio de alheios viveres
adornos inúteis em minhas pilastras
e não serão apenas moscas
nem mesmo pré-borboletas lagartas
que firmarão bombas em minha idéia de força

que farão explosões em meus ouvidos
cantando árias mudas
que farão explosões em meus olhos
mostrando Van Gogh s em preto e branco
que farão explosões em meu faro
transformando cheiro de morango em cheiro do ralo

A minha força continua
brilhando e queimando
meus passos flutuam no ar
trôpegos, mas certos
meus olhos vagueiam pelas planícies
incertos e desenhando colinas nos céus
minha dança continua tonta
mas não caio
não
eu não caio nem cairei

porque minha dança é uma
firme e única
areia movediça e úmida
te prende e te afunda
em minha alma de leão
em mim.

4/11/2007

Segunda personalidade suicída

"Depressão é mar
amor é ar
sem amor ser humano
tende a naufragar"


Revertidos os medos e os cabelos
que ao vento pendiam inovação e rebeldia

Subiram as idéias e as normalidades
se foram muito instantâneamente

Sobrou um corpo sem carne
investido na parte mental

Ao meu redor, fluxos e ondas pendiam, pendulavam, bruxuleavam até.
Em meu interior, fluxos e ondas, de calma e terror

Em cada mão, uma história nova
nas pontas dos dedos meu futuro guardado

Correram por sua face todos eles
um desceu pelos teus lábios

e nos teus lábios continuaram
implorando fortemente por silêncio

Não era tua alma o som da garganta
nadava ela no poço de suas pupilas

(os fluxos continuavam)
(corriam agora dois corpos)

desceram ao teu pescoço os outros dedos
estrangulando de leve teu respirar

seus olhos se abriram mais
teu corpo pediu perdão

minhas lágrimas eram tua última bebida
escorriam ao longo de tua face até sua boca

seu corpo já desistia
(meu corpo já desistia)

seus braços, jogados
(meus braços, jogados)

seus olhos, fechados
meus olhos...fechados

4/03/2007

Sensacional









Depois da tormenta revela a canção
depois da negreza me vem o clarão
É depois da caminhada inteira
muito longa, muito sofrida
cheia de sangue e ferida

É depois da caminhada que levanto.

Passou muita ruindade
passou imensidão de sofrer
passou tudo de mau e ruim
passou, passou em mim...

Chorei eu sei, chorei demais
Me indignei com o que fui capaz
Me tornei de pedra, mau
Mas derreti de novo, em lágrima e sal

Aqui estou, no fim do caminho
joelhos sangrando, suado e cansado
Peito arfando, fôlego perdido

E basta olhar pra trás num único olhar
e ver esse caminho que passei
para encher minha boca de grito
para encher minha alma de orgulho
e berrar para todos os ventos
Meu mundo deu certo...eu venci!

Fortaleza oceânica

"Skapaður í mynd manns í líki karls og
Konu tvöföld var sú syndhans sgaði hans
Sonur ekki hryggja heldur sefa mín lífs
Spekialltaf rétt ?"


Cresceu em mim uma fortaleza oceânica
prestes a desabar
com a força da tormenta negra do apocalipse
a ponto de bala

Emergiu das águas azuis
uma força desigual
afastou todos seres e ventos
de mim

Circundou minha face e meus polegares
a tormenta energética azul
Invadiu meu corpo
como um perfume

Assustado e demorado
me entreguei à condição
me abracei a imensos braços
inventei novecentos gestos
reduzi cores a um único clarão

Entre minhas mãos meu planeta
nele fiz toda pressão
de azul se tornou negro
de luz se tornou borrão

Os olhos fechados fingiam surpresa
as mãos apertadas fingiam emoção
as lágrimas ao lado não fingiam nada
choravam com meu coração

Imensidão se fez em meu peito
A nova guerra parecia normal
E achar guerras normais
aponta minha escuridão

Estão negros meus olhos
Está negra minha ilusão
Estão negros meus gestos
Negro, meu coração

Diante do abismo, sempre...
cada dia mais perto da beira...
cada dia com mais certeza de que sei voar...

3/30/2007

Inveja animal

"Passos de ballet e teclas de piano
pintam na garotinha um ar de classe
Choro, gritos e gotas de sangue no chão
escancaram a garotinha de verdade."



Houve um dia q nada mais prestava
na sala vazia o barulho ecoava
entrou nela a velha para reclamar
do bicho insistente que barulhava

o felino pulsava com a bola no ar
a velha nervava com o ânimo do bicho
e fez da inveja que pintou seu rosto
um gesto horrivel e repente

a velha matou o gato, mas sentiu-se bem
sentiu-se mais viva que o gato...

3/29/2007

Momentos

"Cartão postal de tristeza é ânsia
Fecha a porta e toma tento
Tenha calma na cachola
Senão machuca o rebento"



Se faltar história ou se perdi a memória
ainda terei força pra lutar
E de toda sorte que sobrar no peito
retirarei canção para te lembrar

Se amanhecer e a chuva for tudo
em minha mente virá o sol
e meus ouvidos encherei de música
para abafar das gotas os sons

Nas vezes que a graça se perder
derreterei com um fechar de ollhos
qualquer muro entre nós
seja de ferro, fogo ou de choro

No final se não valer nada
se for tudo final sem cor
imensamente desapontado
retornarei na chuva
relembrarei a luta
farei dela poesia

3/22/2007

A quebra do diabolismo na beira


"Os olhos são dois
não foi de bobeira
no dia que um falha
o outro incendeia"

Foi no dia primeiro
do ano de amor
que o sol nasceu-me inteiro
que o vento cheirou-me cor

Mais leve e com mais sorte
amanheci brilhante e forte
com criança nos olhos
e dor guardada no bolso

A chuva que caiu um tempo atrás
foi meu choro e nada mais
foi minha dor intensa e inteira
minha vida frente ao abismo, na beira

Mas escutei alguém rindo nas minhas costas
com dois chifres e um tritão.
Andei pra longe da beira do abismo
Firmei o meu peito e gritei então:


"diabo louco por ti não me atento
desgraça minha joguei no vento

mantra canto pra te afastar
e mantra meu é gargalhar

de choro forte te sustentas
vejamos se berro forte aguentas

A TUA CADÊNCIA HÁ DE COMEÇAR
CORRA DIABO PRA NÃO MAIS VOLTAR
AFASTA-TE DE MINH'ÁUREA JÁ!"

e toda a potência que minha voz fez vibrar
vem da certeza de que encontrei alguém.
Alguém capaz de me amparar.

Novela


No dia que todas as verdades
[foram descascadas
A impassibilidade febril
[viu-se esfarrapar
Meu corpo e o teu enfim juntos
[unidos em par

É quando passo meus dedos
[em sua pele e tento te desvendar
Eu não sei o que está escrito
[em braile, sob os meus dedos
E debaixo de tanta pele
[o que escrito sobre mim estará.

3/21/2007

Retrato atual

"para uma pessoa muito especial
que em meio a pop ups e distância
me deixou muito balançado"



Que a tua corrente era azul eu vi
que ela pegava fogo eu senti
que trancado a você eu estava afinal
não vi nem senti, mas achei anormal

Que o teu promíscuo ato era gigante tu não sentiste
Que meus joelhos se dobraram ante tua voz não viste
Mas que meu cavalo chegara
tu ouviste, calada.

E não haverá canto nem encanto
nem mágoa nem divagar
que nos faça arrepender tanto
que nos leve a nos separar

3/20/2007

A última tristeza de minha vida

"Naquela traíra tem espinho e carne
Na tua história prometo os dois
Sangue e tristeza na sua estrada
Felicidade no seu depois"
Dizeres de uma cigana, lendo meu destino.


Não não não
eu não quero mais nada
nem dia de sol
nem madrugada
nem dia verlmelho
nem alvorada

não quero passarinhos nem leões tristes
não quero navalhas nem piras viris
meus deus quanto custa
pra eu ser enfim feliz?

articulações de madeira
e tristeza de mosquito
meus nervos são correntes elétricas
dançando um ballet deprimido

e os olhos dela, que desejam luminar
olhos de saída e de alerta
olhos no avião que sobe
eu de pés na partida final
mente sem carnaval
tudo escuro tudo pior
vida louca mundo menor
vida escura mundo pior

E a besta manda sempre seus piores anjos no meu sol-raiar
e minha deixa é sempre fechar os olhos
porquê pior que morrer é ver tudo piorar.

Mary, dance!

"Revolta e bela, a luz reflete é nela
Dançante e toda aliás
Firme e esvoaçante

Um corpo todo fugaz"


Pé no chão, cabeça atenta
toca o som que desconcentra
Você é mola e eu sou par
que mal que tem em eu dançar?

Violência que ele quer
se contorce pra buscar
vou dançar na frente dele
até ele levantar

Não tem mal em fazer isso
ninguém nunca vai chorar
se chorar aí desisto
vou buscar um outro par

Dança, sobe e vai pra trás
pula, volta, desce mais
e todos gritam "Mary, dance!
this is your chance!"